Sinto saudades
Daquele tempo
Em que via as coisas
Com outros olhos.
Eu tinha olhos
De aprendiz:
Cada detalhe,
Cada matiz,
Me prendia,
Me encantava.
Todo bobo,
Me perdia.
Perplexo,
Aprendia,
E a tudo olhava.
Agora
Meus olhos
Já não são os mesmos.
Tenho olhos
Fatigados,
Olhos de um velho
Em longa caminhada.
Passam para lá,
Passam para cá,
Mesmo assim…
Tanto lhes
Escapa.
Olham, olham,
Não vêem nada!
Ainda
Que eu faça esforço,
Ainda
Que eu os abra!
Olhos convencidos
De que tudo já viram
Mal se lembram
Do prazer
Da surpresa,
Do enigma das coisas
E sua beleza.
Por Larric Malacarne.
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