Afinal, o que um psicólogo faz!? (Parte I)

     Certa vez um amigo meu, um tanto indignado, virou-se para mim e perguntou: “-Larric, por que é que você foi fazer psicologia, cara? O médico, cura as pessoas. O advogado, solta as pessoas. Mas e o psicólogo? Psicólogo não faz nada”. Não pude deixar de dar risada da indignação dele, que acabou dando toda uma comicidade à questão que ele me colocou. Entretanto, foi só mais uma das muitas situações nas quais tive notícias de que, geralmente, as pessoas não sabem muito bem o que faz um psicólogo. É disto, portanto, que urge a necessidade de escrever sobre o tema.

    A Psicologia enquanto profissão regulamentada, no Brasil, é relativamente recente. Afinal, a formação em Psicologia e a profissão de psicóloga(o) foram regulamentadas somente em 27 de agosto de 1962, a partir da promulgação da Lei 4.119, que pode ser acessada aqui. Talvez, então, seja por isso que frequentemente o profissional desta área é posto em saia justa e, assim como ocorreu comigo, precisa  explicar a natureza de seu trabalho. Contudo, explanar o caráter dessa natureza, tão vasta quanto complexa,  não é nada simples e tranquilo de fazer. Pelo contrário, chega a ser difícil de dizer o que um psicólogo faz, dada a imensidão das possibilidades. Afinal, estudamos, trabalhamos e lidamos com aquilo que há de mais elaborado e complicado: o ser humano e o que possui de mais subjetivo.

Não há como dizer tudo

     Pois bem, lançarei uma sequência de textos que terão como objetivo último esboçar, brevemente e em uma linguagem acessível à quem não é da área, o que pode fazer um psicólogo. Desde agora, portanto, destaco a limitação a partir da qual as linhas escritas serão concebidas: a impossibilidade de esgotar o assunto. É sabendo que meu texto é capaz de dizer pouco sobre o que está sendo proposto que me coloco a escrever. Todavia, ainda que pouco eu possa dizer, imagino que será suficiente para ajudar a ter uma ideia das possibilidades que a profissão de psicóloga(o) envolve.

Diferentes Especialidades

    Para começar, saliento que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconhece e certifica 11 diferentes especialidades na profissão. Segundo o art. 3 da resolução de nº 13 do CFP do ano de 2007, os seguintes títulos de especialista podem ser atribuídos a um profissional da Psicologia:

I. Especialista em Psicologia Escolar/Educacional;
II. Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho;
III. Especialista em Psicologia de Trânsito;
IV. Especialista em Psicologia Jurídica;
V. Especialista em Psicologia do Esporte;
VI. Especialista em Psicologia Clínica;
VII. Especialista em Psicologia Hospitalar;
VIII. Especialista em Psicopedagogia;
IX. Especialista em Psicomotricidade;
X. Especialista em Psicologia Social;
XI. Especialista em Neuropsicologia.

     A partir disto, começamos a notar que as possibilidades de atuação de um psicólogo vão muito além do consultório clínico, que é apenas um dos vários caminhos profissionais possíveis. Eu diria que o psicólogo pode atuar onde quer que exista ser humano. Nesse sentido, valendo-me das especialidades citadas, assim como de outros locais e campos nos quais a contribuição da Psicologia é viável e desejável, tentarei descrever sumariamente a prática do psicólogo em diferentes contextos. Não seguirei a ordem acima. Vamos lá?

A Psicologia no Hospital

     Quase todo mundo já precisou ficar internado em um hospital alguma vez na vida. Ou ainda, pode ser que tenha ficado apenas, o que não é menos ruim, como acompanhante. Quem já esteve em uma situação dessas pode ser que concorde comigo: não é nada gostoso. Você é retirado da rotina conhecida da própria casa e precisa encarar uma rotina nova, com regras advindas do hospital. Acaba perdendo o controle sobre muitas coisas, até do próprio corpo: profissionais vem e vão, com agulhas, retiram seu sangue, ministram remédios, fazem exames,e por vezes é difícil dormir… Enfim. Um dos objetivos do psicólogo no hospital é justamente trabalhar no sentido de promover bem estar em todos os atores envolvidos no processo de hospitalização e desospitalização: pacientes, familiares e equipe profissional. E este é apenas um dos objetivos…  Assim, tem-se que o psicólogo é um profissional importantíssimo para tornar essa estadia, dentro das possibilidades, o menos sofrível e estressante, tanto para aquele quem recebe cuidados quanto para aqueles que estão envolvidos no processo de oferecer cuidados.

A Psicologia no Esporte

     A Psicologia no contexto esportivo está principalmente atrelada ao que costuma-se chamar de esporte de alto rendimento. A nomenclatura “alto rendimento”  quer dizer que se tratam de atletas, equipes e grupos esportivos ditos “profissionais”, ou seja, o foco da atividade é a competição desportiva.  Neste contexto, o principal objetivo do psicólogo será auxiliar no aumento do desempenho esportivo dos atletas. Há algumas décadas, tem-se demonstrado o quanto áreas como a Psicologia e a Nutrição podem colaborar no aumento do desempenho físico de atletas. Claro, atletas são seres biopsicossociais, e a indissociabilidade do que é biológico, psíquico e social participa na qualidade do desempenho físico dos mesmos.

Continua…

   A continuação do trabalho de percorrer descrevendo área por área de atuação do psicólogo vai ficar, por enquanto, como uma promessa para os próximos textos. Saliento que em cada uma dessas áreas, que percorrerei brevemente, o profissional de psicologia pode seguir longa trajetória formativa. Assim, é perfeitamente possível realizar pós-graduação, mestrado e doutorado em uma dessas áreas. Por isso, o objetivo da proposta é fornecer apenas um ilustrativo de áreas tão vastas e complexas quanto a própria Psicologia.

Por Larric Malacarne

 

 

 

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