Afinal, o que um psicólogo faz? (Parte II)

     Esta é a segunda parte da sequência de textos que tratarão de esboçar respostas à pergunta: Afinal, o que raios um psicólogo faz? Se, por algum motivo, você não teve acesso ao primeiro texto, pode encontrá-lo aqui. O formato proposto é: a partir de uma lista de especialidades e áreas de atuação possíveis, falar um pouco sobre cada uma delas. Pois bem, aqui vamos nós.

A Psicologia na Escola

     Um dos campos nos quais a produção do saber psicológico é vasta o suficiente para caracterizar uma nova especialidade é aquele conhecido como “psicologia educacional”. Estes saberes são perfeitamente capazes de embasar a atuação do psicólogo em contexto escolar. Assim, quando um psicólogo tem a escola como local de atuação, ele atuará como um parceiro do processo de ensino-aprendizagem. Este profissional vai utilizar de diversas estratégias possibilitadas pela ciência psicológica para garantir o sucesso da escola enquanto instituição, cuja função é transmitir o saber humano acumulado àqueles que serão inseridos na vida em sociedade.  Dessa forma, engana-se aquele que pensa que o psicólogo em uma escola ficará sentado em uma sala, aguardando que os alunos ditos “problema” sejam lá levados para serem “consertados” pelo psicólogo. O psicólogo pode e deve fazer muito mais pela escola. Deve objetivar que os alunos aprendam mais e de forma mais eficaz, considerando todas as variáveis envolvidas no processo. Assim, poderá evitar cair no erro de considerar, à princípio, que se um aluno não está aprendendo como se espera a causa desse obstáculo está nele próprio. 

A Psicologia  em Organizações e contextos de Trabalho

     Outro campo no qual o profissional de psicologia tradicionalmente vem atuando é o contexto das organizações e relações de trabalho. Historicamente, a psicologia se inseriu nesta área quando passou a ser considerado importante para o processo produtivo “encontrar a pessoa certa para a vaga certa”. Nesse sentido, é por meio das tarefas de recrutamento e seleção de candidatos que a psicologia entrou nas empresas e organizações. Contudo, quanto mais presente a psicologia foi se fazendo, mais possibilidades de atuação neste contexto eram criadas. Atualmente, são muitas coisas que um psicólogo pode fazer quando estamos nos referindo a organizações e relações de trabalho. Para citar algumas, posso mencionar as importantes pesquisas de clima organizacional, a análise e descrição de cargos, os programas de saúde organizacional, de segurança no trabalho. Pode, também, se envolver e gerenciar programas de treinamento de pessoal, de motivação da equipe, de eficiência produtiva. Além disso, acima de tudo, o psicólogo também estará envolvido em garantir o bem-estar no ambiente laborativo.

A Psicologia no Trânsito

     O leitor que já passou pelo processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) deve recordar-se que precisou ser aprovado em algumas etapas antes de obter autorização para conduzir algum veículo. Entre elas, existe uma costumeiramente chamada de “exame psicotécnico”. Em verdade, tecnicamente esta nomenclatura está em desuso, mas acabou ficando conhecida pela população em geral. Independente do nome dado a esta etapa,  no contexto do trânsito, é necessário que haja sempre um psicólogo devidamente habilitado para, recorrendo a conhecimentos específicos da psicologia do trânsito e da área de avaliação psicológica, avaliar os candidatos à obtenção da CNH. Apesar de esta ser a mais comum forma de atuação psicológica no contexto do trânsito, a área não se restringe a ela. O psicólogo do trânsito é o profissional que estuda e trabalha com o comportamento humano neste contexto. Assim sendo, há muito mais que se fazer do que apenas avaliar aqueles que pretendem obter a CNH. Por exemplo, o psicólogo também participa da elaboração e gestão de programas de segurança e saúde no trânsito, como aqueles voltados à conscientização dos condutores quanto a prudência, ou quanto aos perigos da associação “consumo de álcool e/ou outras drogas + direção”. Existem cursos de especialização em psicologia do trânsito que, em média, duram 02 anos. Portanto, assim como os outros campos desta ciência, a psicologia do trânsito é uma área imensa com variadas possibilidades. 

Lidando com a imensidão

     A tarefa a qual me propus, de partida, se mostrava ousada: em breves linhas, área por área, explicar o que faz um psicólogo. Não surpreende, portanto, que mesmo neste segundo texto não pude finalizá-la. O que, de certa forma, é bom; afinal, manterei o assunto vivo comigo, ao mesmo tempo que me torno capaz de transmitir ao leitor o quanto minha ciência e profissão é grandiosa: jamais caberia em um simples texto, ou dois. Prosseguirei, portanto, me empenhando com isto nos próximos escritos. Por isso, deixo aqui um até logo. Espero que nos encontremos no próximo.

Por Larric Malacarne

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