Afinal, o que um psicólogo faz!? (Parte III)

     Esta é a terceira parte de uma sequência de textos dedicada a ilustrar, brevemente e de forma simplificada, o que raios um psicólogo faz – e pode fazer – em sua atuação profissional. Se, por algum motivo, você não teve acesso aos dois fragmentos anteriores, use estes links para acompanhar: a) primeira parte; b) segunda parte. Dito isto, podemos prosseguir. Vamos lá?

A Psicologia na Justiça

     Eis outro vasto campo de atuação profissional do psicólogo: o sistema de justiça e toda a articulação entre diferentes instituições que o mantém funcionando. O psicólogo, neste contexto, participa em muitas esferas distintas do processo de justiça, afinal, tal sistema  é algo imenso. Para dar uma noção do tamanho da coisa, posso exemplificar que mesmo no campo do Direito o sistema de justiça precisa ser dividido em diferentes áreas de conhecimento: direito penal, direito criminal, direito trabalhista, direito cível, direitos humanos, direitos do consumidor e tantas outras divisões. Ainda assim, uma série de órgãos e instituições são necessárias para que a justiça prossiga operando, e em muitas delas o psicólogo é um profissional que muito pode realizar. Por exemplo, no âmbito dos processos judiciais, o psicólogo pode ser chamado como perito, fazendo estudos e avaliações com vistas a fornecer informações capazes de embasar a decisão judicial. Os psicólogos podem também atuar junto às diferentes instituições, como nas Defensorias, nas Procuradorias, nas Varas de Direito, com papéis específicos em cada contexto em que esteja inserido. O profissional pode, em parceria com o Estado, organizar, elaborar e gerir programas de intervenção com vítimas e/ou agressores, programas de educação em direitos, etc. Cito ainda que há profissionais de psicologia nos presídios, movendo ilimitados esforços visando  que a função de reinserção social seja minimamente cumprida. Enfim, são apenas alguns exemplos para transmitir  a ideia de que o sistema de justiça, de modo amplo, é um campo que acaba absorvendo muitos psicólogos pelas diversas possibilidades de colaboração que o profissional enseja.

A Psicologia Clínica 

     Imagino não ser impossível que a primeira imagem que venha ao pensamento de muitas pessoas ao pensar no profissional de psicologia seja esta: quatro paredes, uma sala escura, poltronas, quem sabe um divã, um profissional com um caderninho pronto a anotar tudo o que for dito. A verdade é que as coisas não são bem assim. E ainda, por vezes, as pessoas imaginam que o psicólogo faz isso. Para começar, a psicologia clínica pode ser tanto um jeito de olhar para o fenômeno humano quanto um contexto de atuação em si mesmo – o famoso consultório. Por exemplo, é possível um olhar clínico dentro de uma instituição que visa defender direitos, como a Defensoria Pública. Nesse sentido, seria um psicólogo lançando seu olhar clínico para o fenômeno humano ocorrendo em meio jurídico. E é possível que o psicólogo clínico trabalhe em unidades, clínicas e consultórios no âmbito da saúde, e foi a isto que eu chamei de “psicologia clínica” enquanto um campo de atuação em si mesma. Mas este assunto, por si, renderia outros textos, e pretendo retornar a ele quando for possível. Por hora, preciso dizer que quando o psicólogo decide seguir carreira atendendo clientes/pacientes é no âmbito da promoção do bem estar, do desenvolvimento humano que ele estará trabalhando. A ideia de que consultar um psicólogo clínico é para quem “tem problemas” está equivocada. Problemas todo mundo tem, procura um psicólogo clínico quem quer crescer pessoalmente e ter condições de, por si, resolver tais problemas. Há muito o que ser dito sobre esse assunto, e preciso me manter fiel à ideia de brevidade destas seções. Mesmo assim, já que toquei no assunto lá em cima, digo aqui rapidamente: a sala não é sempre escura, nem todos os psicólogos clínicos recorrem ao uso de divã, nem sempre o psicólogo possui um caderninho e anota tudo o que é dito, o que não quer dizer que ele preste menos atenção, pelo contrário, por vezes não anotar permite uma maior disponibilidade para a escuta atenta do sujeito. Por fim, acredito que o leitor já percebeu que um psicólogo não faz somente clínica.

A Psicologia Social

A Psicologia Social configura interseção entre a Psicologia, enquanto ciência, e a Sociologia, enquanto ciência. Trata-se, portanto, da interface, do encontro, destas duas ciências que produz uma nova área do saber psicológico: a psicologia social. Enquanto campo do saber, a psicologia social reúne imenso arcabouço teórico-conceitual, sendo possível diversas definições do que é “psicologia social”. Basicamente, o psicólogo social estuda e atua junto ao comportamento no âmbito social, nas interações e mútuas determinações entre indivíduo e sociedade. Geralmente, concebe-se que o ser humano é um ser social, sendo constituído ao mesmo tempo em que constitui a sociedade na qual está inserido. O Psicólogo Social atuará junto a grupos, organizações e comunidades, desenvolvendo ações e políticas que visem o desenvolvimento da coletividade de forma justa, mais igualitária. Sua atuação visa promover sempre autonomia à comunidade em que se insere, tornando-a capaz de identificar e encontrar soluções para os próprios problemas. O leitor que chegou até aqui já deve ter percebido que tudo em psicologia é imenso e contém diversas possibilidades. Claro que meus exemplos foram sucintos, mas imagino que foi possível ter uma ideia sumária do campo. Destaco ainda que, por ser uma área de discussão teórica muito rica, a carreira acadêmica em psicologia social reúne grandes nomes da psicologia. Isso quer dizer que inúmeros profissionais optam por seguir contribuindo e dedicando a vida para a construção dessa área da psicologia, o que é mais uma possibilidade.

Mais promessas

Quando comecei a percorrer área por área da psicologia eu sabia que, mesmo tentando ser breve, eu não conseguiria ser tão breve assim. Esta foi a terceira parte da sequência de textos que objetiva dar conta dessa tarefa, e ela ainda não foi completa. Sendo assim, encerro este terceiro texto na promessa de que há mais por vir. Aguardem.

Por Larric Malacarne

 

 

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